sábado, 28 de dezembro de 2013



Na vertigem do oceano

vagueio

sou ave que com o seu voo
...
se embriaga

Atravesso o reverso do céu

e num instante

eleva-se o meu coração sem peso

Como a desamparada pluma

subo ao reino da inconstância

para alojar a palavra inquieta

Na distância que percorro

eu mudo de ser

permuto de existência

surpreendo os homens

na sua secreta obscuridade

transito por quartos

de cortinados desbotados

e nas calcinadas mãos

que esculpiram o mundo

estremeço como quem desabotoa

a primeira nudez de uma mulher

Mia Couto
Raiz de Orvalho
 
 

Sem comentários:

Enviar um comentário