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domingo, 1 de março de 2009

É uma corrente de ar brilhante, é um lugar que emerge
De obscuras veias.
Que leveza no vento!
Estou no meio do espaço.
Oiço os murmúrios do sol.
Saboreio o que sou.
Sou renovado pelo espaço, nasço num espaço verde.
O que eu amo está perto entre a terra e o ar

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei.
Amo.
Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008


Encantei-me com as nuvens, como se fossem calmas locuções de um pensamento aberto.
No vazio de tudo eram frontes do universo deslumbrantes.
Em silêncio via-as deslizar num gozo obscuro e luminoso,
tão suave na visão que se dilata.
Que clamor, que clamores mas em silênciona brancura unânime!
Um sopro do desejo que repousa no seio do movimento,
que modela as formas amorosas, os cavalos, os barcos
com as cabeças e as proas na luz que é toda sonho.
Unificado olho as nuvens no seu suave dinamismo.
Sou mais que um corpo,
sou um corpo que se eleva ao espaço inteiro, à luz ilimitada.
No gozo de ver num sono transparente
navego em centro aberto, o olhar e o sonho.