" Abro-te a porta do poema; e tu espreitas para dentro da estrofe, onde um espelho te espera."
Puseram-lhe o corpo numa concha de fogo. As algas envolveram-na com a mortalha negra do oceano. A combustão fez-se na cama de sonho em que passou a noite.
Um dia, um pescador encheu o seu balde com as conchas apanhadas na praia, num intervalo da maré. Pedi-lhe que não as abrisse; mas ele disse-me que era tarde para evitar a refeição.
Abrimos as conchas, uma a uma; e o corpo primaveril renasceu de dentro da água, como se a vida ainda o contaminasse, e um sulco de alga não cortasse os seios em que tantos lábios pousaram.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Sentada, de costas para mim, olhas esse ponto em que todos os sonhos se concentram; e a serenidade envolve-te com o seu lençol efémero, para que não penses em mais nada.