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domingo, 11 de janeiro de 2009

Para quê olhar para os crepúsculos
se tenho em mim milhares de crepúsculos diversos

- alguns dos quais que o não são
- e se,

além de os olhar dentro de mim,
eu próprio os sou,
por dentro?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009


Tudo me interessa e nada me prende.

Atendo a tudo sonhando sempre;
fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo,
recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos;
mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa,
e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse,
da minha parte ou da parte de com quem falei.
Assim, muitas vezes,
repito a alguém o que já lhe repeti,
pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu;
mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas,
o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra,
ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu
a narrativa que me não recordava ter-lhe feito.
Sou dois, e ambos têm a distância - irmãos siameses que não estão pegados.


O meu desejo é fugir.
Fugir ao que conheço,
fugir ao que é meu,
fugir ao que amo.
Desejo partir, não para as Índias impossíveis,
ou para as grandes ilhas ao Sul de tudo,
mas para o lugar qualquer aldeia ou ermo
que tenha em si o não ser este lugar.
Quero não ver mais estes rostos,
estes hábitos e estes dias.
Quero repousar,
alheio do meu fingimento orgânico.
Quero sentir o sono chegar como vida,e não como repouso.
Uma cabana à beira mar,uma caverna,
até,no socalco rugoso de uma serra,
me pode dar isto.
Infelizmente só a minha vontade não pode dar.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Só o que sonhamos é o que verdadeiramente somos,
porque o mais,
por estar realizado,
pertence ao mundo e a toda a gente.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Conquistei, palmo a pequeno palmo, o terreno interior que nascera meu.
Reclamei, espaço a pequeno espaço, o pântano em que me quedara nulo.
Pari meu ser infinito, mas tirei-me a ferros de mim mesmo.