terça-feira, 17 de fevereiro de 2009



...e de tudo os espelhos são a invenção mais impura



CORPO....aberto á virgindade aérea

e ás marés azuis das janelas solares

ascende o canto da permanência leve

que prolonga o seio do sono e o sopro sossegado

dos dourados e verdes campos do silêncio

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Despi-me toda:
dos dedos ao ventre,
da minha pele à tua,
do meu pulsar à tua mão.
Estendi-me,
a oferenda dos deuses:
palpitante,
morna,
balbuciando segredos.
E puseste as mão
sem concha,
como ninhos,
e sentiste o fogo
e fechaste os olhos.
A luz brilhante cega
quando não a esperamos.
Um corpo em seu mistério caminhante

não mais que um corpo em marcha no caminho





















domingo, 15 de fevereiro de 2009

Trago à flor da pele as coisas que devia
esconder, o mais íntimo e sombrio.
Podeis ver o meu esqueleto e não só,
também trago à flor da pele
a alma toda.
era assim:
queres?
queres algo?
queres desejar?
desejas querer?
desejas-me?
desejas querer-me?
queres desejar-me?
queres querer-me?
queres que te deseje?
desejas que te queira?
queres que te queira?
quanto me
queres?
quanto me
desejas?
ah quanto te quero
quando te quero
quando me queres...

sábado, 14 de fevereiro de 2009



Mais que o teu corpo quero o teu pudor

quero o destino e a alma e quero a estrela

e quero o teu prazer e a tua dor

o crepusculo e a aurora e a caravela

para o amor que fica além do amor.

...................

Estar em ti como quem de si se parte

e assim se entrega e dando não se dá

quero perder-me em ti e quero a achar-te

como num corpo o corpo que não há.


.....Os nossos corpos têm a mesma batida,
o mesmo ritmo,
o mesmo tango por dentro...
Será por isso que só me sinto bem ao pé do mar.
Procuro-te nas algas,nos destroços que boiam nas ondas,
nos restos de naufrágio sobre a areia,em todas as praias
batidas pelo vento..........

..........Só o mar me traz o teu sabor,a tua mão,
o cheiro do teu corpo que é um cheiro a
madressilva e ás ervas das areias..........


...eles estão por dentro e estão por fora.

Podes crer que nunca ficam

nos retratos.



Procuro apenas um sinal

um ritmo que restitua

a imperceptivel respiração da terra

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Embriaguez de sentidos Palvras........


Como se

de um trago

se sinta nos labios

deixam pequenas estrias

nas entranhas

do nosso bem estar

toques

sentires

ao longo de nós em direcção ao outro

como ganchos

que não querem parar e

despertam todos os odores

os prazeres

os desejos.....

não se limitando a ter rosto

mas sim presença...

A minha carne,A minha casa,

Alma gémea,O meu verdadeiro sentir

"Anonimo"

E não sei se sou eu

a tua casa,

se és tu quem mora

em água eterna

em mim

Ana Luísa Amaral

Tu és um pequeno poço que nas entrelinhas da leitura bebem na fonte
da sede que as palavras fazem que seja natural
genuina e
perdura em ti.........
é um sentir inexplicavel
como uma criança embalada nas redes da paixão
és uma mulher de acreditares
és uma mulher de desejos
és uma mulher de sentires que não se esgotam mas sim
se entrelaçam em pequenos dares de mão
que escorregam.....
que deslizam.....
e passam
como imanes de fluxos......

...em ondas que te perfuram....
sei que em cada palavra
sinto em ti
um estimulo que te perdura,e
deixa um sabor a agua salgada
com sabores a marezia
sei que os salpicos
te escorregam
em cada palavra..........

....o silencio é o fluxo
da corrente que se esvai
gota
a
gota
que se esventra
como um rio que jamais seca
como lagos de incontornaveis sentires
que silenciosamente
percorrem
e
que não precisam de bussola
no encontro dos sentires.........




....sei que sim
que te escrevo
nas entranhas
em cada silaba
em cada passar de dedo
que passo em ti
como um bailado
que silencioso
precisa de um grito
como um ave que vá
como uma onda em mar firme
e sei
que deslizo em ti
em pequenos bailados
em pequenas sinfonias
que te amornam
os sentidos...
é como se elas deixassem
palavras
e tornam-se
toques reais
não se conseguindo conter
como se fossem
extensões de mãos............
A minha carne,A minha casa,
Alma gémea,O meu verdadeiro sentir......
"Anonimo"
depois que um corpo
Comporta outro corpo
Nenhum coração
Suporta o pouco
Alice Ruiz
Sentires anonimos

No meio da noite, configura
a fragrância das palavras mágicas
Na chave da noite, a ternura,
pluma que verte enigmas

Nas mãos do tempo, o arado
que rasga os mistérios do sentimento que define
O homem da meia noite,

em seu caminho de volta que faz

ao adentrar a meia lua das unhas dos enigmas.
A mão da noite destrava a chave
da fragrância das palavras mágicas

somos tão novos e estamos tão perdidos.
o teu silêncio
dentro dos gritos das árvores,
meu silêncio sobre o
entardecer.
seria tão feliz se pudesse dizer-te:
vem,
vamos fugir de mãos dadas, amor.


..........Quem sabe se não trago em mim uma gaivota endoidecida

a voar para um Sol que não existe?......

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Quase
sem saber eu me feri
Quase
sem querer eu me fechei
Quase
sem porquê eu me exalei
Quase
sem mim eu me perdi
em meio a multidão.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

As nuvens são sombrias
Mas, nos lados do sul,
Um bocado do céu
É tristemente azul.
Assim, no pensamento,
Sem haver solução,
Há um bocado que lembra
Que existe o coração.
E esse bocado é que é
A verdade que está
A ser beleza eterna
Para além do que há.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

"Haverá um paraíso terrestre onde,
no meio das folhas sussurrantes das oliveiras,
as pessoas possam estar com quem querem
e ter aquilo que querem,
repousar à sombra e ao fresco?"

.....Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada
-Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser.....

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009


Se quiserem saber quem sou
- Não sei quem sou
Só sei que em mim
A sombra e a luz
São vultos
Que se buscam e se amam
Loucamente

Se quiserem saber do meu destino
- Não sei do meu destino
- Não sei do meu nome
Só sei daquela sede
Imensa sede
Que ainda não foi saciada

Se quiserem saber donde venho
- Não sei donde venho
Talvez venha do vento
Do deserto
Do mar
Ou do fundo das madrugadas

Não
Não me amem tão depressa
"Não me compreendam tão depressa"
Não me julguem tão fácil
Por favor
Não me julguem tão mesquinho
Tão quotidiano

O pão que trago comigo
- Não é pão
É fogo
O vinho que trago comigo
- Não é vinho
É sangue
E eu vos afirmo
- Todos hão de beber
Do Fogo e do Sangue

Até ao jardim na extinção da natureza e até ao Paraíso no Jardim.
É preciso amar o que nos falta e não procurar emancipar-se dele.
é preciso amar a diferença sexual;
amar a nudez nos orifícios da nudez;
amar a perda.
É preciso adorar o tempo.
Escuta, preceptor do amor libertino:
Conduz os teus alunos ao meu templo.
Verão eles ali uma inscrição
cuja fama aos confins do universo
levou este conselho:
Conhece-te a ti mesmo.
Só o homem que a fundo se conheça
pode amar sabiamente
porque é em relação às próprias forças
que mede cada empresa."

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Entre o horizonte
e minhas emoções,senti sempre como que um elo de sangue.
Sempre acreditei nos sóis que se erguem
como nos irmãos mais velhos.
Os sóis poentes, eles são os
pais alquebrados de fadiga,
e eu regressava na sua companhia
para o lar natal
que inexistia.
Minha alma feminina
é tão antiga
como o cheiro da terra
que a chuva molha perfume milenar
essência almiscarada
que em muito mais de mil noites
arde à espera.

O silêncio é a minha sabedoria
e porque permaneço imóvel e sereno,
como um asceta de pedra,
parece-me
que sou uma estalactite dentro de uma caverna imensa
com o céu por abóbada.

Lentas,
lentas,
lentas gotas de luz,
gotas de paz, caem imparáveis
e fazem-se pedra dentro de mim.
Quero um cavalo de várias cores,
Quero-o depressa, que vou partir.
Esperam-me prados com tantas flores,
Que só cavalos de várias cores
Podem servir.


Quero uma sela feita de restos
Dalguma nuvem que ande no céu.
Quero-a evasiva - nimbos e cerros -
Sobre os valados, sobre os aterros,
Que o mundo é meu.


Quero que as rédeas façam prodígios:
Voa, cavalo, galopa mais,
Trepa às camadas do céu sem fundo,
Rumo àquele ponto, exterior ao mundo,
Para onde tendem as catedrais.


Deixem que eu parta, agora, já,
Antes que murchem todas as flores.
Tenho a loucura, sei o caminho,
Mas como posso partir sozinho
Sem um cavalo de várias cores? .
De teus olhos em água
saltam inscrições em fogo,
assim como existe um outro mar
que se desdobra além das ondas,
um calendário nas sombras
que se diluem nas paredes.

De teus olhos em água,
as inscrições em fogo
tingem de nova cor a paisagem
e dão às horas o enigma dos minerais.

Das inscrições em fogo,
o amor e sua linguagem de água,
o amor e suas sombras nas areias da memória.
o amor
e a escritura de seu abandono,
as tenebrosas buscas,
as urtigas da dúvida,
o trigo interrompido,
o gesto não perdoado,
o grão das horas a arder sob o sol das esperas.
O amor
e suas mãos que palmilham palavras,
o inatingível, o inumerável,
o que não se conhece,
o que não se aprende jamais.

sábado, 7 de fevereiro de 2009


Evita pois
Olhar no seio do visível

E
Antes vê as coisas que não vês
E tudo isso que não ouves.

Pois é aí,
Ao centro de “Nenhures”,
Que sempre o coração vai ter

E
O passo do inesperado.
O meu coração, pássaro do deserto, revoa no céu dos
teus olhos. Teus olhos são o berço da manhã, o reino
das estrelas e a profundeza onde as minhas canções
se perdem.


Deixa que eu mergulhe neste céu imenso e solitário.
Deixa que eu penetre as tuas nuvens e abra minhas asas
em teu sol.

O meu coração, pássaro do deserto, revoa no céu dos

teus olhos. Teus olhos são o berço da manhã, o reino

das estrelas e a profundeza onde as minhas canções

se perdem.



Deixa que eu mergulhe neste céu imenso e solitário.

Deixa que eu penetre as tuas nuvens e abra minhas asas

em teu sol.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Para mim, o fio do dia não existe – ou existe?
Existem contas de colar e não colar.
Um colar suspenso no ar, sem fio, coisa de circo, de magia, coisa desequilibrável.
Desequilibrável mas não quebrável, desequilibrável mas não desequilibrada.
E não me limito a jogar com palavras – aliás, nunca jogo.

Eu sei porque te dói
atrair com fúria a pedra aos dentes
e atirá-la depois como nada
à dança magnética
onde acaba o milagre

Com o tempo tornaste-te cega
encandearam-te os verbos
a incandescência dos verbos dolorosos
Aniquilaram-te as alimárias palavrantes
o sussurro esquizofrénico da natureza do homem

Eu sei
que o teu lamento jamais cessará
porque a tua fome é a minha fome
e esse pão fez-se carne
fez-se fogo impossível de levar à boca
Apanhei o cabelo
em rabo de cavalo
agora a minha solidão
vê-se melhor
vê-se tão bem
como a minha face
E a minha face
é desassombrada
as sombras
não são minhas

passeou pelos espelhos dos dias
suas clandestinas alegrias
que mal se reflectiram desertaram
Hoje só fotografei árvores,
Dez, cem, mil.
Vou revelá-las à noite.
Quando a alma for câmara escura.
Depois vou classificá-las:
Segundo as folhas, os anéis dos troncos,
Segundo as suas sombras.
Ah, como as árvores
Entram facilmente umas nas outras!
Vejam, agora só me resta uma.
É esta que vou fotografar outra vez
E vou observar com assombro
Que se parece comigo.
Ontem só fotografei pedras.
E a pedra afinal
Parecia-se comigo.
Anteontem — cadeiras —
E a que resultou
Parecia-se comigo.
Todas as coisas se parecem terrivelmente
Comigo...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O mais terrível é sentirmos a irreversibilidade do tempo. Que mesmo
quando tudo se repete, já nada se repete, pela primeira vez. E que nós
gastamos como borrachas na demorada corrosão das coisas. Um dia
acordamos e já não é a primeira vez. A não ser quando a paixão nos
diz que, nupcial e navegante, cada gesto de amor é sempre o primeiro.
Esta vista de mar, solitariamente,
dói-me. Apenas dois mares,
dois sóis, duas luas
me dariam riso e bálsamo.
arte na natureza pede
o amor em dois olhares.
Abrigo-me de ti
de mim não sei
há dias em que fujo
e que me evado
há horas em que a raiva
não sequei
nem a inveja rasguei
ou a desfaço
Há dias em que nego
e outros onde nasço
há dias só de fogo
e outros tão rasgados
Aqueles onde habito com tantos
dias vagos.

- Meu corpo, que mais receias?
- Receio quem não escolhi.
- Na treva que as mãos repelem
os corpos crescem trementes.
Ao toque leve e ligeiro
O corpo torna-se inteiro,
Todos os outros ausentes.
Os olhos no vago
Das luzes brandas e alheias;
Joelhos, dentes e dedos
Se cravam por sobre os medos...
Meu corpo, que mais receias?
- Receio quem não escolhi,
quem pela escolha afastei.
De longe, os corpos que vi
Me lembram quantos perdi
Por este outro que terei.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

"Quem sabe um dia, mar
eu possa transformar-me em areal
Desintegrar-me em conchas e coral
e conhecer-te, enfim
sem naufragar... "

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009


Eu só poderia acreditar em um deus que soubesse dançar.


Aprendi a andar; desde então, deixo-me correr.
Aprendi a voar,
desde então não preciso mais que me empurrem para mudar de lugar.
Agora sou leve, agora eu vôo…
agora um deus dança em mim.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009


A FLOR


Penso que cultivo tensões
como flores num bosque
onde ninguém vai.
Cada ferida — perfeita —,
fecha-se numa minúscula imperceptível pétala,
causando dor.
Dor é uma flor como aquela,
como esta,
como aquela,
como esta.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

PASSIVIDADE Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.