sexta-feira, 18 de janeiro de 2013



Tu és cego e eu sou surdo mudo,
toquemo-nos com as mãos e compreendamo-nos.




Foto: Tu és cego e eu sou surdo mudo,
 toquemo-nos com as mãos e compreendamo-nos.

Coma o morango quando ele aparecer. Não deixe para depois.

Foto: Coma o morango quando ele aparecer. Não deixe para depois.
Foto: ETERNA BUSCA 
Guida Linhares
 
Somos o microcosmo
circulante neste universo
sempre em expansão.
 
Somos poeira das estrelas,
andarilhos da Via Láctea,
buscando morada no infinito.
 
Somos uma partícula dos raios do Sol,
aquecendo corações fragmentados,
espalhando versos como o vento.
 
Somos uma gotícula de chuva,
aliviando as mágoas e incertezas,
dos companheiros de jornada.
 
Somos um grão de areia,
perdido na praia dos sonhos,
entre as marés das ilusões.
 
Somos diminuta partícula do universo.
Almas em metamorfose eterna,
buscando os mistérios do próprio ser.



ETERNA BUSCA
Guida Linhares

Somos o microcosmo
circulante neste universo
sempre em expansão.

Somos poeira das estrelas,
andarilhos da Via Láctea,
... buscando morada no infinito.

Somos uma partícula dos raios do Sol,
aquecendo corações fragmentados,
espalhando versos como o vento.

Somos uma gotícula de chuva,
aliviando as mágoas e incertezas,
dos companheiros de jornada.

Somos um grão de areia,
perdido na praia dos sonhos,
entre as marés das ilusões.

Somos diminuta partícula do universo.
Almas em metamorfose eterna,
buscando os mistérios do próprio ser.

Foto: POEMA DO UNIVERSO
Maria Thereza Neves
 
rompe o embrião das estrelas
voa em plumas nas nuvens
decifra claves, notas, acordes
foge da entranha das almas
brota nas entrelinhas do universo
preenche cada espaço vazio
ligando elos, luzes e linhas
com asas livres, soltas
faz-se o poema
como uma sinfonia
que o maestro poeta 
comanda a sinfonia
a suavidade da orquestra
solta brilhos e lampejos
no meio do nada
nega o vácuo
assume ser poesia
e deixa-se jorrar
em acordes na amplidão...




POEMA DO UNIVERSO
Maria Thereza Neves

rompe o embrião das estrelas
voa em plumas nas nuvens
decifra claves, notas, acordes
foge da entranha das almas
brota nas entrelinhas do universo
preenche cada espaço vazio
... ligando elos, luzes e linhas
com asas livres, soltas
faz-se o poema
como uma sinfonia
que o maestro poeta
comanda a sinfonia
a suavidade da orquestra
solta brilhos e lampejos
no meio do nada
nega o vácuo
assume ser poesia
e deixa-se jorrar
em acordes na amplidão...

Foto: Durante o dia, por mim
as horas passam faceiras,
já as noturnas
nunca me perdoam.
 
Esse é o mal de todo louco:
ser um tanto lunático, dual,
cíclico e temperamental.
 
Há temperos, ervas e fogos;
alquimias sem receita
cujo resultado nem ele,
o próprio sonhador, sabe.


Autoria: Olívia Braschi



Durante o dia, por mim
as horas passam faceiras,
já as noturnas
nunca me perdoam.

Esse é o mal de todo louco:
... ser um tanto lunático, dual,
cíclico e temperamental.

Há temperos, ervas e fogos;
alquimias sem receita
cujo resultado nem ele,
o próprio sonhador, sabe.


Autoria: Olívia Braschi


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013


Violo as leis de um universo monocromático,
Reinvento-me cor todos os dias...
Encho-me de matizes e sentimentos.
Faço de mim a minha própria arte.
Transformo-me num pássaro de asas vivas,
Pronto a transgredir tudo que é imposto.
Ganho os céus!
Liberdade


Foto: Alguém joga xadrez com minha vida, alguém me borda do avesso, alguém maneja os cordéis. Alguém me inventa e desinventa como quer: talvez seja esta a minha condição. Alguém dirige o teatro de sombras no qual fui ré sentenciada. Finjo entender de tudo: ando de um lado e outro, faço gestos com a mão, cuspo as sementes do fruto entalado na garganta como um grito: alguém aí pode me ouvir? Ninguém reage, ninguém tenta aplaudir: nesse reino todos usam disfarces, menos a solidão


Alguém joga xadrez com minha vida, alguém me borda do avesso, alguém maneja os cordéis. Alguém me inventa e desinventa como quer: talvez seja esta a minha condição. Alguém dirige o teatro de sombras no qual fui ré sentenciada. Finjo entende...r de tudo: ando de um lado e outro, faço gestos com a mão, cuspo as sementes do fruto entalado na garganta como um grito: alguém aí pode me ouvir? Ninguém reage, ninguém tenta aplaudir: nesse reino todos usam disfarces, menos a solidão

Foto: Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu...


Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu...


Foto: A terra, o sol, o vento, o mar são minha biografia e são meu rosto. Por isso não me peçam cartão de identidade..."



A terra, o sol, o vento, o mar são minha biografia e são meu rosto. Por isso não me peçam cartão de identidade..."
Foto: "... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente.
Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."



"... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente.
Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."
Foto: Mostrai-me as anémonas, as medusas e os corais
Do fundo do mar.
Eu nasci há um instante.


Mostrai-me as anémonas, as medusas e os corais
Do fundo do mar.
Eu nasci há um instante.
Foto: Devastada era eu própria como cidade em ruína
Que ninguém reconstruiu
Mas no sol dos meus pátios vazios
A fúria reina intacta
E penetra comigo no interior do mar
Porque pertenço à raça daqueles que mergulham de olhos abertos
E reconhecem o abismo pedra a pedra anémona a anémona flor a flor
E o mar de Creta por dentro é todo azul 
Oferenda incrível de primordial alegria
Onde o sombrio Minotauro navega

Devastada era eu própria como cidade em ruína
Que ninguém reconstruiu
Mas no sol dos meus pátios vazios
A fúria reina intacta
E penetra comigo no interior do mar
Porque pertenço à raça daqueles que mergulham de olhos abertos
E reconhecem o abismo pedra a pedra anémona a anémona flor a flor
E o mar de Creta por dentro é todo azul
Oferenda incrível de primordial alegria
Onde o sombrio Minotauro navega
Foto: O sol rente ao mar te acordará no intenso azul
Subirás devagar como os ressuscitados
Terás recuperado o teu selo, a tua sabedoria inicial
Emergirás confirmada e reunida
Espantada e jovem com as estátuas arcaicas
Com os gestos enrolados ainda nas dobras do teu manto



O sol rente ao mar te acordará no intenso azul
Subirás devagar como os ressuscitados
Terás recuperado o teu selo, a tua sabedoria inicial
Emergirás confirmada e reunida
Espantada e jovem com as estátuas arcaicas
Com os gestos enrolados ainda nas dobras do teu manto


Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. 
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas. 
Se achar que precisa voltar, volte! 
Se perceber que precisa seguir, siga! 
Se estiver tudo errado, comece novamente. 
Se estiver tudo certo, continue.
 Se sentir saudades, mate-a. 
Se perder um amor, não se perca! 
Se o achar, segure-o!
 Fernando Pessoa
 
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
Fernando Pessoa

sábado, 12 de janeiro de 2013

A HORA DO LOBO


"......Se aparecer um halo á volta da Lua ,é sinal de que vai haver vento nessa noite e os lobos põem-se em movimento.São melhores metereologistas que nós.Fazem circulos para espelharem os do céu.Por outras palavras,estão  perfeitamente sincronizados com o céu...."

 

HINO Á DEUSA DO ENTENDIMENTO




Deusa do Entendimento
Tu a Primogénita
A quem os seres humanos chamam Deus
Cuja Natureza é Amor
Cuja Inteligência é Amor
Tu és o Espírito

Deusa do Entendimento
Que sabes quem deve morrer
Quem deve viver
Quem deve libertar-se
Que concedes a Salvação

Tu és a prodigalidade da minha natureza
Tu és o poder da minha carne
Tu és o frémito do meu sopro
Tu és a chama da minha presença
Tu és a autonomia da minha consciência

Deusa do Amor sem nome
Que nos ensina
Que o sentido deste mundo
Reside apenas no Entendimento
Que ele gera no nosso espiríto
Na consciência acrescida
Da nossa absoluta inscrição
Na Suprema Liberdade do Senhor

Rasga o véu da minha ignorância
Ensina-me a amar sem objecto
Tu,nossa intimidade real
Tu,nossa eternidade conquistada
Ensina-me o Amor 
 

HINO Á DEUSA DAS AURORAS

 


Deusa das auroras
Que protege todos os começos
Que torna férteis as intenções

Deusa dos primeiros sorrisos
Dos primeiros olhares
Das primeiras carícias
Dos primeiros amores
Que reina com doçura
Sobre todos os alvores sedutores
Que vela pela harmonia das cores
Pelos acordes dos sons e dos odores
Pelas correspondências secretas
Deusa da Tranquilidade perene
Com um sorriso eterno
Que acalma e cura
O teu Rosto é um lago de delicadeza
A tua mão uma orquídia
O teu seio um oceano de beatitude
Tu és a Mãe amorosa de todas as criações

Eu,teu filho
Volto-me para ti
Ofereço-te o meu caos
Pra que faças ai nascer e crescer
O divino Belo
O divino Verdadeiro
O divino Bom

Que o teu imenso Amor
Que não faz qualquer distinção entre os seres
Estenda o seu manto de luz imperial
Sobre os meus frágeis ombros

 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Livro do Desassossego


"Assim como lavamos o corpo deveríamos lavar o destino, mudar de vida como mudamos de roupa - não para salvar a vida, como comemos e dormimos, mas por aquele respeito alheio por nós mesmos, a que propriamente chamamos asseio.
Há muitos em quem o desasseio não é uma disposição da vontade, mas um encolher de ombros da inteligência. E há muitos em quem o apagado e o mesmo da vida não é uma forma de a quererem, ou uma natural conformação com o não tê-la querido, mas um apagamento da inteligência de si mesmos, uma ironia automática do conhecimento.
Há porcos que repugnam a sua própria porcaria, mas se não afastam dela, por aquele mesmo extremo de um sentimento , pelo qual o apavorado se não afasta do perigo. Há porcos de destino, como eu, que se não afastam da banalidade quotidiana por essa mesma atracção da própria impotência. São aves fascinadas pela ausência de serpente; moscas que pairam nos troncos sem ver nada, até chegarem ao alcance viscoso da língua do camaleão.
Assim passeio lentamente a minha inconsciência consciente, no meu tronco de árvore do usual. Assim passei o meu destino que anda, pois eu não ando; o meu tempo que segue, pois eu não sigo."


"E não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou."
"Verifico que, tantas vezes alegre, tantas vezes contente, estou sempre triste."
"Não vejo, sem pensar."
"Não há sossego - e, ai de mim!, nem sequer há desejo de o ter."
Estudo Sobre a Experiência do Serviço de Neurorradiologia do Hospital de Egas Moniz. G. Branco.

Ao Dr.Gabriel Branco e toda a sua equipa deixo essencialmente a admiração por conseguir descomplicar e resolver tão brutal problema.Entreguei-me nas suas mãos várias vezes e outras se seguirão......sempre com imenso medo,sofrimento e  apreensão mas com a certeza que as suas mãos e o seu empenho profissional,resultam em verdadeiros milagres.

O meu profundo agradecimento

SOBREVIVI A 5 ANEURISMAS


Breves palavras de agradecimento A QUEM ME SALVOU A VIDA.....mas mais que tudo quero deixar uma mensagem de esperança a todas as pessoas que passem pelo mesmo drama ......Vamos manter sempre a esperança de dias melhores......

FOTO DE EQUIPA DE NEUROCIRURGIA DO HOSPITAL EGAS MONIZ.....FALTAM AQUI OS EXCELENTES PROFISSIONIAS DOS CUIDADOS INTENSIVOS...
.Para mim foram a personaficação dos anjos.....Bem Hajam!


Pela 2ª vez deixo aqui o meu mais intenso agradecimento ao Dr. Manuel Dominguez director do Serviço de Neurocirurgia do Hospital de Egas Moniz que me operou de urgencia a um aneurisma cerebral e me salvou a vida.

Mas como não bastasse através de um angiotac detectaram que eu tinha mais quatro aneurismas cerebrais,estive internada quase um mês nos cuidados intensivos deste mesmo hospital,assistida de maneira profissional e humana de tal forma que ainda hoje sinto um carinho muito especial por todos que naquele Hospital tocaram a minha vida.Sou então informada que vou fazer angiografias para tratar os outros aneurismas e conheço então outro salvador.......o Dr. Gabriel Branco que através destes exames algo dolorosos, embora seja administrada uma sedação( fiz três angiografias) deixou-me fora de perigo e para já ficou tudo controlado e tratado...terei que fazer angiografia anual para controle...e acreditar que tudo vai continuar bem.De toda esta experiência assustadora,dolorosa e traumática ficou a certeza de que o meu Ser fisico pode acabar num minuto,desejo cada vez mais desenvolver-me interiormente e encontrar os meios necessários para encontrar a Luz que tem iluminadao o meu caminho.Podia ter morrido,seria o mais provável,mas estou aqui com poucas ou nenhumas sequelas...um milagre!Da ciencia?....Sim sem duvida.Tal como a papoila dobrei mas não parti.

Mas algo me diz que aquele ainda não era o momento e que esta "passagem" não tinha que terminar em Março de 2012.

Por isso vivo cada dia como se fosse o ultimo..sempre com a presença desta Luz que me protege...e fazendo tudo com imensa paixão,com dedicação,com Amor...continuo a fotografar, agora com mais dificuldade porque o tempo que fiquei inactiva deixou-me com pouca resistencia fisica para me deslocar por serras e montes ...mas estou a melhorar...sempre a melhorar,até ganhei um 2º lugar num concurso de fotografia!Que melhor incentivo poderia ter?

Macrofotografia é a minha paixão...uma delas porque a minha vida tem que ser intensa,tranquila mas plena de paixões....CARPE DIEM






"Ás vezes tenho vontade de lágrimas....."

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

 

  Fernando Pessoa



"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
... Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."
Fernando Pessoa
 

 

 
Foto: Curtam!!
○○••♥••Coração Absoluto••♥••○○
 
Recolhimento...
Desapego...
Lágrimas...
Memórias...
Nostalgia...
Cheia e vazia...
Procurando a força...
Erguendo-me...
...como uma árvore que abana com o vento, mas mantêm-se enraizada na Mãe Natureza em sintonia com o Universo...
... E o seu próprio ser....
...é assim que me sinto...

 Om Shanti
 
Foto: Recolhimento...
Desapego...
Lágrimas...
Memórias...
Nostalgia...
Cheia e vazia...
Procurando a força... 
Erguendo-me... 
...como uma árvore que abana com o vento, mas mantêm-se enraizada na Mãe Natureza em sintonia com o Universo...
E o seu próprio ser....
...é assim que me sinto...
Om Shanti
 

Recolhimento...
Desapego...
Lágrimas...
Memórias...
Nostalgia...
Cheia e vazia...
Procurando a força...
Erguendo-me...
...como uma árvore que abana com o vento, mas mantêm-se enraizada na Mãe Natureza em sintonia com o Universo...
... E o seu próprio ser....
...é assim que me sinto...
Om Shanti

 
 
 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012



Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada.
A recordação é uma traição à Natureza,
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.
Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLIII"
Heterónimo de Fernando Pessoa
 
"Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem, são os que são absurdos - a ânsia de coisas impossíveis, precisamente porque são impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outr...o, a insatisfação da existência do mundo. Todos estes meios tons da inconsciência da alma criam em nós uma paisagem dolorida, um eterno sol-pôr do que somos...O sentirmo-nos é então um campo deserto a escurecer, triste de juncos ao pé de um rio sem barcos, negrejando claramente entre margens afastadas."

(Livro do Desassossego: Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa / Fernando Pessoa)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012


Mar sonoro, mar sem fundo mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós.
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
... Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
... Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.
Ver mais




Alma gémea...
"As almas gémeas quase nunca se encontram, mas, quando se encontram, abraçam-se, sentem-se. Naqueles momentos em que alguém diz uma coisa, que nunca ouvimos, mas reconhecemos não sei de onde. E em que mergulhamos sem querer, como se estivéssemos a visitar uma verdade que desconfiávamos existir, de onde desconfiamos ter vindo, mas aonde não tínhamos conseguido voltar.
O coração sente-se. A alma pressente-se. O coração anda aos saltos dentro do peito, a soluçar como um doido, tão óbvio que chega a chatear. Gémea não é igual. É parecida. Não é um espelho. É uma janela. Não é um reflexo. É uma refracção. O desejo de encontrar uma alma gémea não é o desejo de reafirmarmos a unicidade da nossa existência através de outro que é igual a nós. É precisamente o contrário. É poder descansar dessa demanda.
O estado normal de duas almas gémeas é o silêncio. Não é o "não ser preciso falar" - é outra forma de falar, que consiste numa alma descansar na outra.

Como é que se reconhece a alma gémea?
No abraço. No beijo. Quando duas almas gémeas se abraçam e se beijam, sente-se o alívio imenso de não ter de viver. A sensação é de sermos uma alma no ar que reencontrou a sua casa, que voltou finalmente ao seu lugar, como se o outro corpo fosse o nosso que perderamos desde a nascença. As almas gémeas revelam-se uma à outra. Não são iguais. Mas revelam-se de forma igual. Como se tivesse surgido, de repente, uma língua que só os dois conseguissem falar. Toda a angústia do eu se dissipa. É-se inteira e naturalmente aceite. Sem perguntas. Sem condições. Sem promessas. E mergulha-se no outro como se já não fosse preciso existirmos. "
Miguel Esteves Cardoso

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012



Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.
No imenso mar á minha espera,
o toque da espuma arrepia-me.
O que sinto não importa.

Os corpos aproximam-se sibilando sons que não reconhecemos.
O que pressinto prenche
e ficamos ali,no espaço entre coisa nenhuma.
Dá-se o encontro entre o que era e o que desconheciamos.
Irradiam luz,força.
Percorrem-nos voltagens que não reconhecemos.
Misturam-se,fundem-se.
Atraem-se vezes sem conta,criando a ilusão de unidade.
Mesmo pasmos,repetimos gestos,
inventamos movimentos....tornando-nos um só!
Dança simbólica dos inicios,dos começos
Uma brisa percorre os corpos num abraço
e descansam







terça-feira, 23 de junho de 2009

Amor,paixão,admiração,gozo sexual
palavra clara,és belo,cumplicidades mil,
da pele e da palavra,tudo nos une mas
o que nos mantém terrivelmente acesos e despertos e sôfregos
no desejo do outro é o segredo,o segredo que buscamos,
que nos leva a sentir que é sempre a primeira vez
_Um segredo que não sabemos qual é,
sequer se existe.
O segredo é o peso indefinido da penumbra que nos une
e que todos os dias vamos transformando numa luz
que nunca dexará de ser obscura,posta em causa
e mesmo assim nos cega.....


ÁCERCA DO AMOR:
"Quando ele te acenar .......segue-o"
Khalil Gibran

terça-feira, 9 de junho de 2009

Um tudo nada
mais fundo
Um tudo nada mais longe
e mais acima
Um tudo nada mais torpe
Um tudo nada
mais vasta e mais perdida




Um tudo nada
mais chama
Um tudo nada
mais só
e mais urdida
Um tudo nada
mais corpo
Um tudo nada
mais fogo..........


e mais despida
Aos olhos do tempo
a transgressão
das horas
*
pelo dentro das nervuras
das asas
*
pequenos capilares de vento
onde começa a vontade
de voar
*
num caminho
sedento
VULCÃO
Saber um extinto
vulcão
dentro do peito
*
Um espaço interdito
e vulnerável
*
Um coração de fogo
que perdeu a imagem
ETERNIDADE

Faço com as mãos
o destino das coisas
que me cercam
*
Tomando devagar o tempo incerto
Quebro e desarrumo
*
Perco

Diz
porque me sucedem as trevas
onde estou mergulhada
*
Foi em criança
que perdi a alma?
Os cheiros interiores
do corpo
*
A musgo
A linquen
A raizes perdidas
*
A cuspo
A vagina
A aguas paradas levemente aquecidas
CULTO
Reclusa retomo sempre
e sempre reinvento
o meu nada absoluto
*
A quem de mim própria
o que de mim oculto

domingo, 7 de junho de 2009

deixa que me entorne por ti

deixa que me faça escorrência em teu corpo

como a chuva num solo encharcado

ou que me entranhe

que tomes de imediato como se

comigo terminasse a mais violenta seca

condescende comigo deixa que force a metáfora

para mal do poema

tanto mais o amor é líquido

quanto mais nos queremos em mistura

SOLIDÃO
esquecer devagar o mundo
por dentro dos olhos reservar uma ilha
para os dias inevitáveis e deixar sem resguardos
que o ventre seque das minhas próprias mãos
morrer um dia de cada vez

quarta-feira, 3 de junho de 2009

PERDI-ME ?

Vivo num mundo de afectos
Perdi-me?
Deixo-me ir sem limites
visto-me de sonhos
iludo-me de sentires
mergulho num desafio de incertezas
exalo essências de ilusão
Perdi-me?.........

ACROBATA

Balanço emoções num
trapézio sem rede
Desnudo-me para ti
olhas-me....não me vês?
MOVIMENTO
Movimento-me no etéreo
do meu poder de alma
Tudo me é permitido
consciente do nada....que é tudo
AFAGO SENTIDOS......
ECOS

Essência sou.....
procuro sempre....
encontro as vezes......
ecos de mim...